Você pode escolher: Mentiras Verdadeiras ou Verdades Mentirosas

Tentar definir uma data que mostra que vivemos mentiras verdadeiras ou verdades mentirosas no processo histórico do país é algo muito complexo, mas a primeira lembrança que pode aparecer na memória é aquela lei que ficou conhecida como  “´para  inglês ver”.

Nos últimos tempos, com o advento da grande rede mundial que conectou o planeta em termos individuais diversos tipos de “censo comum” deixaram de existir, a imprensa tradicional perdeu a credibilidade, de um momento para outro, apareceram inúmeros ilustres desconhecidos que tomaram a palavra como Verdade e tornaram-se igual à imprensa tradicional, repetidores de verdades desde que a recompensa fosse digna.

Concomitantemente a tecnologia evoluiu mais rápido obviamente que estas recentes formas de divulgar notícias.

A imagem digital, avanços tecnológicos fantásticos e fundamentalmente a inteligência artificial propiciaram um painel para aventureiros e estabeleceram nos últimos anos uma “realidade virtual” que muito poucos vínculos mantêm com o cotidiano. São cotidianos distintos que lutam entre si para estabelecer verdades ou mentiras como mantras repetidos milhares de vezes.

E uma nova mentira verdadeira ou verdade mentirosa apareceu na “realidade virtual” com a denominação de “deepfakes”.

De acordo com reportagem do Jornal Valor Econômico, do dia 24 de maio de 2019: uma apresentação no OpenIA foi apresentado um software, GPT-2, capaz de redigir textos de maneira autônoma.

De acordo com Jack Clark, um dos dirigentes da OpenIA, os códigos do programa não foram liberados ao público pelo “potencial destrutivo”.

O GPT-2 tem capacidade impar de gerar narrativas altamente verossímeis, mas marcadas por um detalhe, neles, tudo é falso.

O sistema transformou-se em um novo marco da associação entre a inteligência artificial e as notícias falsas.

Quem viu o GPT-2 na ativa  ficou impressionado. A titulo de demonstração, Ele foi abastecido com as seguintes informações: “um vagão de trem com material nuclear foi roubado em Cincinnati. Seu paradeiro é desconhecido”.

A parti daí o software redigiu um artigo de sete parágrafos, que incluía até citações de representantes do governo. Tudo não passa de um devaneio de bits e bytes, mas crível. E o programa é versátil. Alimente-o com a frase inicial de “1984” de George Orwell [“ Era um dia frio e ensolarado de abril[…]”] que a engenhoca capta o estilo de abordagem e imprime um tom ficcional à sequencia da narrativa. De acordo com a OPenIA, o programa foi treinado com 10 milhões de textos, ou 40GB de dados, o suficiente para armazenar 35 mil cópias de ‘Moby Dick”.

Ainda conforme a reportagem do Jornal Valor Econômico, 24 de maio de 2019, além de textos, vídeos podem ser manipulados. O Jornal cita o exemplo do artista alemão Marco Klingeman. Ele usa a inteligência artificial para criar imagens computacionais insólitas. Elas formam retratos de pessoas que jamais existiram, mas a partir da fusão de rostos reais.

Áudios também podem ser fraudados com a Inteligência Artificial.

A Lyrebird, startup canadense fundada em 2017, dispõe de recursos para tanto. Criou uma tecnologia para uso em videogames, livros digitais e chats. O sistema transforma a fala em dados e, por meio de um conjunto de algoritmo, clona a voz humana. Para isso, precisa de uma amostra de um minuto da gravação original. Numa brincadeira, os fundadores da empresa, três alunos da Universidade de Montreal, falsearam falas de Trump, Obana e Hillary Clinton. Um dos donos da Lyrebird, Alexandre de Brébisson, reconheceu: A situação é comparável ao “photoshop”, disse: Hoje, as pessoas sabem que as fotos podem ser falsificadas. No futuro, as gravações de áudio vão se tornar menos confiáveis.

Ou seja, com a Inteligência Artificial o  mundo ganha novas ferramentas de manipulação de som, imagem e textos.

A reportagem do Jornal Valor Econômico 24 de maio 2019 continua as perspectivas tecnológicas, éticas que o tema propicia e cita para encerrar o pensamento de Lúcia Santaella, coordenadora do doutorado em tecnologias da Inteligência e design digital da Puc. “ Não é que a verdade já não exista. O problema é que ela já não importa”

In:

Jornal Valor Econômico

24 de maio de 2019