VIVER ENTRE HONESTOS

 

A sociedade brasileira está naquele momento que a agricultura familiar conhece como período da entressafra, ou aquilo que a ciência filosófica segundo alguns teóricos chamam de filosofia medieval.

Quem possui o estranho hábito de estudar, interpretar o cotidiano pode lembrar também que o momento atual deste imenso continente verde amarelo, pelo mínimo na sua bandeira, guarda coincidências curiosas com aquele período do velho continente. A igreja com suas verdades eternas e um incipiente movimento daquilo que ficou conhecido como a razão humana, fruto de esparsos curiosos em descobrir, portanto, estudar o dia-dia sob a visão técnica, econômica e política, o que veio ser conhecido como o conceito de liberal.

Diferentemente daquele período, hoje a realidade é bombardeada por milhares de curiosos que criam, especulam sem qualquer fundamentação da racionalidade cognitiva, mas  respaldada pela ignorância gritante das ideologias, fruto da análise rápida e rasteira do oportunismo partidário.

Vivemos, e possivelmente assim será nas próximas décadas, a esperança de sermos o que não está na nossa história administrativa, econômica, política e cultural de sermos uma nação, fruto utópico das importações teóricas oriundas dos nossos centros de ensinos.

Este país chamado de Brasil está à deriva nestes  518 anos como país, governado para poucos e explorador para milhões. Este é um conceito oculto da grande parte da população que tem seu anseio em tentar viver com dignidade, sabe se lá o que isto represente.

A entressafra ou a filosofia medieval é esta síntese do momento atual, qualquer movimento efetuado pelo novo governo eleito pela maioria dos votos válidos, mas não do total da população nativa deste país, sofre, por parte dos derrotados em todos os seus segmentos seguidores a pressão de desagravo.

A parte derrotada precisa entender que não estamos mais presos a ideologias de salvadores da pátria como estava à filosofia medieval, e que, portanto, deve abaixar a guarda, pois perderam, isto é  fundamental  entender. Ideologia num país do tamanho do nosso é o fruto óbvio da pouca leitura, do pouco estudo.

Um Estado falido, corrompido em todos os seus setores não é resultado para ser encampado apenas pelas ideologias, mas para quem se preocupa com o direito de ir e vir, fato este restrito para “os afortunados” que vivem deste próprio Estado e não para aqueles que sobrevivem apesar do Estado.

Nada nunca começou do nada e mais que nunca precisamos conhecer e  entender o que virá pela frente antes de questionar o que ainda está para nascer. Período eleitoral é um período medonho, onde quaisquer que seja as “razões humanas” deixam de existir para viver oculta em discursos verdadeiros do cinismo populista.

Não há o que fazer senão esperar pelo que vem pela frente, mas a ação não poderá ser resgatar ideologias do período medieval, afinal, estamos em outras etapas da razão humana. Uma para você não esquecer faz referencia a  viver entre honestos.

 

Recebido 13 de novembro de 2018