Velhice, novas descobertas

 

Idosos mais joviais: Funções físicas e cognitivas melhoraram em 30 anos

 

 

Embora há apenas 10 anos se indicasse que as pessoas passavam mais anos doentes ao envelhecer, agora os dados indicam que estamos vivendo mais e mais saudáveis.
[Imagem: Marg/Wikimedia]

Idade com saúde

A capacidade funcional dos idosos de hoje é melhor quando comparada com a de pessoas da mesma idade de três décadas atrás.

Pesquisadores compararam o desempenho físico e cognitivo de pessoas entre 75 e 80 anos com os mesmos indicadores das pessoas da mesma idade na década de 1990.

“As medições baseadas no desempenho descrevem como os idosos lidam com sua vida diária e, ao mesmo tempo, as medições refletem a idade funcional de uma pessoa,” explicou a professora Taina Rantanen, da Universidade de Jyvaskyla (Finlândia).

Entre homens e mulheres com idades entre 75 e 80 anos, a força muscular, a velocidade de caminhada, a velocidade de reação, a fluência verbal, o raciocínio e a memória de trabalho mostraram-se significativamente melhores do que em pessoas que tinham a mesma idade em 1990.

Nos testes de função pulmonar, no entanto, não foram observadas diferenças entre os dois grupos.

“A maior atividade física e o aumento do tamanho corporal explicaram a melhor velocidade de caminhada e força muscular entre a coorte nascida mais tarde, enquanto o fator subjacente mais importante por trás das diferenças da coorte no desempenho cognitivo foi a educação mais longa,” disse a pesquisadora Kaisa Koivunen.

Meia-idade mais longa

Os resultados sugerem que o aumento da expectativa de vida tem sido acompanhado por um aumento do número de anos vividos com boa capacidade funcional.

Segundo a equipe, isso pode ser explicado por uma taxa de mudança mais lenta com o aumento da idade, um desempenho físico melhor mais duradouro ou uma combinação dos dois.

“Os resultados sugerem que nossa compreensão da velhice está antiquada. Do ponto de vista de um pesquisador do envelhecimento, mais anos são adicionados à meia-idade, e não tanto ao fim da vida. O aumento da expectativa de vida nos fornece mais anos sem deficiência, mas, ao mesmo tempo, os últimos anos de vida chegam em idades cada vez maiores, aumentando a necessidade de cuidados. Entre a população que está envelhecendo, duas mudanças simultâneas estão ocorrendo: a continuação dos anos saudáveis até idades mais elevadas e um aumento do número de pessoas muito velhas que precisam de cuidados externos,” disse Rantanen.

 

Checagem com artigo científico:

Artigo: Cohort differences in maximal physical performance: a comparison of 75- and 80-year-old men and women born 28 years apart
Autores: Kaisa Koivunen, Elina Sillanpää, Matti Munukka, Erja Portegijs, Taina Rantanen
Publicação: The Journals of Gerontology: Series A
Vol.: glaa224
DOI: 10.1093/gerona/glaa224

Artigo: Birth cohort differences in cognitive performance in 75- and 80-Year-Olds – A comparison of two cohorts over 28 years
Autores: Matti Munukka, Kaisa Koivunen, Mikaela von Bonsdorff, Sarianna Sipilä, Erja Portegijs, Isto Ruoppila, Taina Rantanen
Publicação: Aging Clinical and Experimental Research
DOI: 10.1007/s40520-020-01702-0

 

In:

https://www.diariodasaude.com.br/

13/10/2020