TRANSPLANTE DE ÚTERO

 

Transplante de Útero contra infertilidade tem sucesso no Brasil

Cirurgia com útero de doadora morta realizada em São Paulo é a primeira bem-sucedida no mundo.
[Imagem: Bárbara Malagoli/Ejzenberg, D. et al. The Lancet. 2018]

Transplante de útero

Médicos da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) anunciaram o primeiro sucesso mundial de um tipo de transplante de útero que torna a receptora capaz de engravidar.

Uma menina nasceu 15 meses depois da cirurgia, tendo completado um ano de idade em 15 de dezembro de 2018. Ela e a mãe estão saudáveis.

O transplante de um útero retirado de uma doadora morta foi o primeiro a dar certo no mundo, depois de cerca de 10 tentativas, com a mesma abordagem, nos Estados Unidos, na Turquia e na República Checa. Com doadoras vivas, desde 2013 houve 39 transplantes, resultando em 11 bebês nascidos vivos.

À medida que alcançar uma escala mais ampla e for legitimado como modalidade terapêutica pelo sistema público de saúde, esse procedimento poderá se constituir em uma alternativa de tratamento para a infertilidade.

A mesma equipe da USP já se prepara para realizar dois outros transplantes nos próximos meses, beneficiando duas mulheres com idade entre 30 e 35 anos que não conseguem ter filhos.

Mulheres sem útero

“Esse é um grande avanço para a ginecologia e a obstetrícia brasileiras, ainda que as indicações sejam bastante limitadas,” comentou o cirurgião Antônio Moron, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – esse tipo de transplante é indicado para mulheres sem útero em razão de problemas congênitos ou cirurgias.

A mulher de 32 anos que recebeu o primeiro transplante não tinha o órgão por causa da síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, embora os ovários produzissem óvulos. A doadora havia tido três filhos de partos naturais e morrido de hemorragia cerebral aos 45 anos.

A receptora menstruou pela primeira vez 37 dias após o transplante e, dois meses depois, engravidou, por meio da transferência do embrião. Outra contribuição da equipe brasileira foi descobrir que o implante do embrião poderia ser feito antes de completar um ano do transplante de útero, o período aguardado pelas outras equipes com doadoras vivas, o que reduz os custos de medicamentos e os cuidados médicos.

O útero implantado não sofreu rejeição após o transplante nem durante a gestação e foi retirado após o parto para que a mulher pudesse parar de tomar os medicamentos imunossupressores e amamentar.

Este primeiro teste também demonstrou que o útero, em formato de pera, pode se manter em bom estado por oito horas depois de retirado da doadora; é o mesmo tempo que outros órgãos, como fígado e pâncreas, e quase o triplo do que o coração.

 

In:

https://www.diariodasaude.com.br

16/01/2019