O Sistema Solar e os Túneis Magnéticos

 
Túneis magnéticos parecem envolver o Sistema Solar

 

Na visão convencional, com o centro galáctico no centro da imagem, as duas estruturas parecem totalmente desconexas.
[Imagem: Haslam et al. (1982)/J. West.t.]

Formações em ondas de rádio

Astrônomos canadenses estão propondo que nosso Sistema Solar pode ser cercado pelo que eles descrevem como um “túnel magnético” que pode ser visto em ondas de rádio.

A proposta é que duas estruturas muito brilhantes, vistas em lados opostos do céu, e até agora consideradas separadas, seriam na verdade conectadas. Esta conexão forma o que parece um túnel ao redor do nosso Sistema Solar.

“Se olhássemos para o céu, veríamos essa estrutura em forma de túnel em quase todas as direções que olhássemos – isto é, se tivéssemos olhos que pudessem ver a luz do rádio,” propõe a professora Jennifer West, da Universidade de Toronto.

As duas estruturas em forma de arcos, conhecidas desde os anos 1960, são chamadas de “Contraforte Polar Norte” (North Polar Spur) e “Região do Ventilador” (Fan Region).

O Contraforte é uma “cordilheira” gigantesca e muito brilhante, vista no hemisfério Norte, que se eleva perpendicularmente do plano da galáxia, começando na constelação de Sagitário e se curvando para cima, estendendo-se pelo céu por mais de trinta graus (o equivalente a sessenta luas cheias), onde parece se juntar a outras formações filamentosas.

A Região do Ventilador é um conjunto de formações de ondas de rádio polarizado que parecem se espalhar pelo céu – daí o seu nome. Vista no Hemisfério Sul, ela contém um campo magnético paralelo ao plano galáctico, que pode ser visto claramente nas imagens geradas para mapear o ruído de fundo do Universo.

 

Comparação da visão das estruturas magnéticas com um túnel.
[Imagem: J. L. West et al. (2021)]
Túneis magnéticos

As duas formações são caracterizadas pela presença de partículas carregadas e de um campo magnético. Com um formato que se assemelha a longas cordas, elas estão localizadas a cerca de 350 anos-luz de distância de nós.

“Há alguns anos, um de nossos coautores, Tom Landecker, me contou sobre um artigo de 1965, dos primeiros dias da radioastronomia,” contou a professora West. “Com base nos dados brutos disponíveis naquela época, os autores (Mathewson & Milne) especularam que esses sinais de rádio polarizados poderiam emergir da nossa visão do Braço Local da Galáxia, de dentro dele. Esse artigo me inspirou a desenvolver essa ideia e vincular meu modelo aos dados muito melhores que nossos telescópios nos fornecem hoje. ”

O modelo de computador a que a astrônoma se refere calcula a aparência das emissões de rádio conforme elas são vistas da Terra considerando diferentes formatos e localizações das longas cordas. O modelo permitiu “construir” a estrutura ao nosso redor e mostrou como seria o céu por visto pelos radiotelescópios.

Foi essa nova perspectiva que permitiu combinar os dados observacionais para revelar estruturas que, em vez de separadas, interconectam-se ao nosso redor, a grandes distâncias – os tais “túneis magnéticos”.

 

A equipe acredita que estruturas magnéticas estejam presentes por todo o céu.
[Imagem: J. L. West et al. (2021)]
Magnetismo cósmico

Para entender os resultados, imagine o mapa da Terra: o Pólo Norte está no topo e o Equador no meio; mas, é claro, sempre podemos redesenhar esse mapa com uma perspectiva diferente. O mesmo é verdade para o mapa da nossa galáxia.

“A maioria dos astrônomos olha para um mapa com o Pólo Norte da galáxia para cima e o centro galáctico no meio,” explicou West. “Uma parte importante que inspirou essa ideia foi refazer esse mapa com um ponto diferente no meio.”

O resultado é uma conexão entre as duas estruturas, hipótese que West justifica pela própria natureza do magnetismo.

“Os campos magnéticos não existem isoladamente,” explica ela. “Todos eles devem se conectar uns com os outros. Portanto, o próximo passo é entender melhor como este campo magnético local se conecta tanto ao campo magnético galáctico, de maior escala, quanto aos campos magnéticos de escala menor, do nosso Sol e da Terra.”

Isto, é claro, depois que outros astrônomos revisarem os dados e o modelo da equipe, e não encontrarem furos neles.

O Universo tem um Norte e um Sul?
Bibliografia:

Artigo: A Unified Model for the Fan Region and the North Polar Spur: A bundle of Filaments in the Local Galaxy
Autores: J. L. West, T. L. Landecker, B. M. Gaensler, T. Jaffe, A. S. Hill
Revista: Astrophysical Journal

 

 

In:
https://www.inovacaotecnologica.com.br/
19/10/2021