O LSD E OS PROFISSIONAIS DA TECNOLOGIA

        O LSD E OS PROFISSIONAIS DA TECNOLOGIA

A utilização de “estimulantes” de origens diversas fez com que São Francisco [EUA] tornar se a capital mundial do ácido na década de 60. Era comum vermos os adeptos do “Power flowers” com suas roupas multicoloridas e estimulados por valores da “contracultura”, que incluíam diversas escolas filosóficas e espiritualistas, a percorrerem as ruas.

Nos dias atuais São Francisco experimenta um novo apogeu do LSD, só que com enfoques profissionais e em microdoses.

De acordo com a reportagem do Jornal Valor, há uma nova geração de usuários de LSD para os quais a droga é um reforço útil e inofensivo, como a meditação e o café. Eles planejam regimes meticulosamente, tomando com freqüência de 10 a 20 microgramas a cada três dias.  “É um sinal dos tempos”, diz uma entrevistada: “o LSD é uma substância muito flexível. Ele amplifica tudo o que ocorrem seu cérebro. Somos obcecados com a produtividade e é para isso que nós usamos” .

O  Jornal Financial Times conversou com vários “microdosers” e todos pediram para não ter seus verdadeiros nomes revelados porque a droga é ilegal. E de acordo com o jornal americano “são profissionais altamente motivados e a maioria trabalha no setor de tecnologia, com preferência liderando suas próprias startups. Todos disseram que usam o LSD como uma ferramenta para melhorar a produtividade sob pressão, dar vazão ao fluxo de idéias e melhorar o foco em um mundo cheio de distrações.

O LSD não é a única droga que experimenta um renascimento. Estudos investigam se a psilocibina, o principio ativo dos cogumelos alucinógeno, pode ser usado para aliviar as ansiedades em pacientes terminais e se a MDMA pode ser usada em terapias para amenizar a síndrome de estresse pós-traumático. Há informações também sobre a utilização da ayahuasca nas peregrinações na América do Sul efetuadas por alguns trabalhadores do setor de tecnologia.

Ainda de acordo com a reportagem do Jornal Valor, do dia 11-08-2017, muitos “microdosers” ficam horrorizados com a maneira como os hippies abusaram do LSD. Para estes “microdosers”, o Verão do Amor na década de 60, atrapalhou o entendimento da droga, uma vez que poucas pesquisas sobre seus efeitos foram realizadas desde então.

Paul Austin, 26 anos, fundou a organização The Third Wave para encorajar a aceitação cultural do uso de drogas psicodélicas. A primeira onda dessas drogas, acredita ele, foi o uso tradicional pelos povos nativos da Grécia e Índia antigas. Elas se tornaram ilegais na segunda onda, na década de 60, com os pais apavorados com as “viagens” dos filhos adolescentes. Agora, na terceira onda, ele diz que os “microdosers” podem tornar o LSD legal novamente.

A Reportagem mostra também opiniões médicas sobre este tema, assim como traça brevemente um paralelo entre a década de 60 e a atual, onde a diferença pode ser pontuada pelo comentário da doutora Molly Maloof que diz: “ A geração hippie 2.0 está usando o LSD para alcançar seus propósitos e atingir o maior potencial e não para farrear e perder as estribeiras”.

A cultura atual da microdosagem ilustra como os moradores de São Francisco deixaram de “pular fora do sistema” para ascender na carreira profissional. Esta realidade cria valores não sustentáveis para os hippies sobreviventes da década de 60 em relação ao custo de vida e aos seus valores.  David Talbot, autor do livro “Season of the Witch”, de 2012, que analisa a evolução de São Francisco nas décadas de 60  e 70 , lamenta a perda da  cidade para os “techies”.

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