O CONHECIMENTO SOBRE SAÚDE E OS POLÍTICOS

 

Políticos não usam pesquisas de universidades sobre saúde

Política longe da ciência

Ao tentar fundamentar suas decisões sobre as políticas de saúde comportamental, quase 75% dos legisladores (deputados e senadores) não procuram os cientistas e pesquisadores das universidades, onde a maioria das pesquisas é realizada.

Os dados foram coletados nos EUA, onde o pesquisador Jonathan Purtle, da Universidade Drexel, entrevistou 475 legisladores e descobriu que apenas 27% deles usam as universidades como fontes primárias para embasar suas decisões e pontos de vista.

Trinta e quatro por cento dos progressistas (democratas) disseram usar as universidades como fonte primária de informações de pesquisas sobre saúde comportamental, enquanto apenas 19% dos conservadores (republicanos) fazem o mesmo.

As agências estatais de saúde representam uma fonte de pesquisa muito mais citada pelos parlamentares, com 48% de todos os legisladores citando se basear nelas. A seguir foram citadas entidades profissionais do setor e a própria equipe do parlamentar, com 51% – novas pesquisas poderão indicar a quem as equipes dos parlamentares recorrem para elaborarem seus pareceres.

“Historicamente, os pesquisadores das universidades tipicamente fundamentam suas pesquisas em questões que são de interesse para eles mesmos e para outros pesquisadores da universidade. Estas [questões] são frequentemente diferentes das questões que são de interesse para os formuladores de políticas,” disse Purtle. “Acho que os legisladores não recorrem a pesquisadores universitários porque não acham que terão informações relevantes para as decisões políticas que enfrentam.”

Purtle aponta uma variedade de formas pelas quais os pesquisadores e cientistas podem tentar fazer com que os formuladores de políticas vejam seu trabalho.

“Estamos vendo que os pesquisadores têm uma variedade de canais – como as organizações profissionais e as agências estatais – que podem atingir os legisladores,” disse Purtle. “Devemos nos afastar dos caminhos tradicionais que usamos para a exposição e comunicar a mensagem da nossa pesquisa de maneira atraente.”

In:

https://www.diariodasaude.com.br

13/08/2018