O AR DA FLORESTA

 

O que respiramos na floresta que nos faz tão bem?

 

Os cientistas acreditam ter encontrado os compostos exalados pelas florestas que nos fazem tão bem – física e psicologicamente.
[Imagem: UAB]

Saúde e áreas verdes

Quando estamos em contato com ambientes naturais, fora da cidade, experimentamos uma série de efeitos benéficos em nossa saúde.

Em geral, esses efeitos ocorrem no nível dos nossos sistemas cardiovascular, imunológico, respiratório e nervoso. E também experimentamos mudanças em nosso bem-estar fisiológico e psicológico.

Essa constatação de que a natureza faz bem à saúde fez aumentar muito o interesse da comunidade científica – e da própria sociedade – em relação ao potencial das florestas e demais áreas verdes naturais como fonte de bem-estar humano.

É claro que os cientistas nunca se contentam apenas com a medição dos efeitos benéficos: Eles também querem saber os mecanismos que ligam o estar em uma floresta com os benefícios fisiológicos que os exames mostram.

As pesquisas mais recentes vêm apontando compostos orgânicos voláteis emitidos pelas plantas, chamados monoterpenos, como os principais determinantes dos efeitos benéficos das áreas verdes naturais sobre a nossa saúde.

As plantas produzem monoterpenos como um mecanismo defensivo contra herbívoros e para se adaptar ao meio ambiente. Entre os efeitos mais estudados, destacam-se as atividades anti-inflamatórias, neuroprotetoras e antitumorigênicas dos monoterpenos. Apesar de seu papel relevante no binômio saúde-floresta, contudo, esses compostos foram pouco estudados até agora no nível do dossel das árvores, onde eles pretensamente interagem com as pessoas para gerar benefícios.

Monoterpenos

Albert Bach e uma equipe da Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha) decidiram estudar a variabilidade desses compostos químicos em uma floresta de azinheiras, uma árvore muito comum na região do Mediterrâneo.

Os resultados demonstraram uma forte variabilidade da concentração de monoterpenos, dependendo da estação e da hora do dia. As maiores concentrações foram medidas no início da manhã (das 6 às 8 da manhã) durante o início do verão, e no início da tarde (das 13 às 15 horas), no mesmo período.

Os resultados também mostram como os monoterpenos estão fortemente conectados à temperatura, à radiação solar e à umidade relativa do ar.

Esses picos nas concentrações não foram identificados no restante dos meses do ano, quando as emissões dos compostos aumentaram com a radiação solar, atingindo seu pico por volta das 14h, coincidindo com o pico diário de temperatura.

A lição a se levar para casa – ou para a floresta – é que, se os cientistas estiverem corretos de que são os monoterpenos os responsáveis pelos efeitos benéficos das áreas verdes sobre os seres humanos, então você irá tirar o maior proveito possível indo para lá logo de manhã no verão.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Human Breathable Air in a Mediterranean Forest: Characterization of Monoterpene Concentrations under the Canopy
Autores: Albert Bach, Ana Maria Yáñez-Serrano, Joan Llusià, Iolanda Filella, Roser Maneja, Josep Penuelas
Publicação: International Journal of Environmental Research and Public Health
DOI: 10.3390/ijerph17124391

 

 

In:

https://www.diariodasaude.com.br/

06/07/2020