MUDANÇAS DE HÁBITOS, VOCÊ PRECISA APRENDER

 

Mudança de hábitos: por que é tão difícil transformá-los?

Best-seller da literatura ensina a reprogramar o cérebro para conseguir efetivar ações saudáveis

Emagrecimento. Tamires Guimarães não criou um objetivo de curto prazo: “Se pensa em mudar hábitos, a perda de peso vai vir como consequência”

Mudar e manter bons hábitos em relação à alimentação e à saúde depende, principalmente, do equilíbrio e da capacidade de domínio pessoal entre corpo e mente. Do contrário, a rotina vira exatamente a imagem de um hamster correndo em uma roda. Ele até se esforça, mas mesmo atingindo uma alta velocidade, não consegue sair do lugar.

Fenômeno internacional desde seu lançamento, em 2012, o livro “O Poder do Hábito: Por que Fazemos o que Fazemos na Vida e nos Negócios”, de Charles Duhigg, foi a fundo nessa questão para explicar como os hábitos nascem e qual a receita para transformá-los. Conforme o autor, o cérebro é uma máquina poderosa que está constantemente encontrando maneiras para se esforçar menos e automatizar rotinas apenas para economizar energia.

Duhigg diz que os hábitos são armazenados em uma área totalmente diferente do lobo temporal, responsável pela memória. “Isso provou que nós aprendemos e tomamos decisões inconscientes sem a necessidade de nos lembrarmos sobre os fatos que levaram àquela decisão ou aprendizado. Esse é o poder do hábito”, explica.

Em 2009, por exemplo, um estudo provou que a simples ação de anotar o que as pessoas comiam era capaz de ajudá-las a identificar padrões de alimentação, o que fazia com que planejassem melhor o que comiam, tornando-as mais saudáveis. No estudo, o grupo que tinha diários de alimentação perdeu o dobro de peso dos demais.

Segundo Duhigg, um hábito funciona em três etapas: gatilho, quando alguma coisa acontece e o cérebro entende como um chamado para entrar no modo automático e escolher qual rotina usar; rotina: ação física, emocional ou mental que é automaticamente acionada pelo gatilho, e a recompensa: quando o estímulo positivo ocorre e diz ao cérebro que aquela rotina funciona e por isso deve ser armazenada.

Porém, cientistas também já provaram que a força de vontade é um ingrediente fundamental para o sucesso, com muito mais impacto que a inteligência. Dessa forma, Duhigg observa que um hábito positivo leva a outro, e isso cria uma cadeia de bons hábitos que funcionam bem em conjunto. “Pessoas que começam a exercitar-se, por exemplo, naturalmente começam a se alimentar melhor, tornam-se mais produtivas no trabalho. Consequentemente o estresse é reduzido”, afirma.

A engenheira Tamires Guimarães Aguiar, 28, que está fazendo a dieta do jejum intermitente, diz que não ter um objetivo de curto prazo foi fundamental para o sucesso no emagrecimento. “Se perde peso rápido, a tendência é ganhar rápido. Se pensa em mudar hábitos, a perda de peso vai vir como consequência, e a manutenção vai ser mais fácil. Eu acho que o objetivo tem que ser a mudança de hábito e a saúde, e não a perda de peso rápida”, diz.

 

Subconsciente pode sabotar novas práticas

O subconsciente das pessoas é muito poderoso e está constantemente influenciando a mente consciente com base nas experiências passadas, segundo o professor e pesquisador em saúde quântica Wallace Liimaa. “É por isso que a mudança de hábitos pode ser tão difícil”, adverte.

Para conseguir uma novidade ou adquirir um costume são necessárias três medidas: repetir o novo pensamento incansavelmente, buscar novas práticas para se motivar e reconhecer as próprias crenças limitantes.

Segundo Liimaa, um novo pensamento repetido diversas vezes produz redes neurais que vão acionar uma química no corpo, além do alinhamento do pensamento com as emoções. Um exemplo comum é quando se deseja mudar a alimentação, mas alguma crença limitante cria a ideia de que isso vai diminuir o prazer ao se alimentar.

Admitir os próprios limites e buscar novos estímulos fazem parte do processo. Segundo Liimaa, quando uma pessoa está estagnada, vivendo a “síndrome do hamster”, possivelmente existem crenças bloqueadoras. “Afaste-se de tudo o que é negativo, como os programas de TV que só trazem notícias violentas, ou mude o hábito de consumir alimentos com agrotóxicos, processados e industrializados”, diz.

 

In:

https://www.otempo.com.br

28/08/2018