Movimentos  Faciais e as Emoções

 

Emoções nem sempre se revelam pelos movimentos faciais

 

É possível colocar balões com falas muito diferentes em cada situação porque a mesma expressão serve para diferentes emoções.
[Imagem: Matthew Modoono/Northeastern University]

 

Lendo emoções

Se você visse uma pessoa com a testa franzida, a boca arqueada para baixo e os olhos semicerrados, você diria que ela está com raiva?

Mas e se alguém lhe contasse que aquela foto mostra uma pessoa que havia esquecido os óculos de leitura e estava tentando decifrar o cardápio de um restaurante?

O fato é que a interpretação dos movimentos faciais de uma pessoa não pode ser feita no vácuo – ela depende do contexto.

Mas há mais do que isso – de fato, vários complicadores.

Muito longe do tradicional padrão dos emojis, psicólogos demonstraram agora que as pessoas usam diferentes movimentos faciais para comunicar diferentes instâncias da mesma categoria de emoção – por exemplo, alguém pode franzir a testa, contrair as sobrancelhas ou até mesmo rir quando está retratando a raiva.

Além disso, nós também empregamos configurações faciais semelhantes para comunicar uma variedade de instâncias de diferentes categorias de emoções – uma carranca às vezes pode expressar concentração, por exemplo.

 

Quando se tenta ir para a inteligência artificial, a identificação de emoções fica muito mais complicada porque os programas não conseguem captar o contexto.
[Imagem: Tuan Le Mau et al. – 10.1038/s41467-021-25352-6]

 

Inteligência artificial e emoções

Estes resultados têm sérias implicações para a tecnologia de reconhecimento de emoções, que pretendem ler emoções no rosto, dizem os pesquisadores.

“A implicação deste estudo é que há muito mais variabilidade na maneira como as pessoas expressam diferentes instâncias de uma determinada categoria de emoção. E uma configuração facial pode expressar instâncias de raiva, felicidade ou outras categorias de emoção, dependendo do contexto,” resumiu a professora Lisa Barrett, da Universidade Northeastern (EUA).

A equipe da professora Lisa faz parte de um grande grupo de pesquisa que vem tentando demonstrar que a inteligência artificial para detectar emoções não tem base científica.

 

In:
https://www.diariodasaude.com.br/
06/09/2021