Empresa desenvolve sistema de detecção antiatropelamento animal

Diálogo de saberes

Durante a Fase 1 do programa PIPE Fernanda contou com a colaboração da pesquisadora Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, professora da Esalq e sua orientadora no doutorado, e do pesquisador da Universidade de Montana (EUA) Marcel Huijser, especialista em medidas mitigatórias para o atropelamento de fauna silvestre e seu coorientador. Mas, ao longo do desenvolvimento do projeto, Fernanda Abra percebeu a necessidade de agregar ao seu campo de estudos ainda outros profissionais e saberes. A começar pelo empreendedorismo.

A necessidade de transitar pelo mundo dos negócios foi, talvez, o maior desafio da bióloga. “A primeira barreira a ser vencida foi internalizar a responsabilidade de ser uma pesquisadora empreendedora. Em geral, a gente só pensa em pesquisa pura”, diz a bióloga.

Ao ingressar no mestrado, Fernanda Abra nem sequer conhecia a existência do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) – a incubadora que daria o suporte inicial à ViaFauna. “Os cursos de graduação pecam por não apresentar essas possibilidades”, diz ela. Foi no Cietec que ela conheceu o PIPE e recebeu orientações para elaborar o projeto (com algumas características distintas dos projetos acadêmicos que conhecia até então) a ser apresentado ao programa.

Depois, ainda na Fase 1, a ViaFauna seria selecionada para participar do 3º Programa de Treinamento de Empreendedores de Alta Tecnologia, promovido pelo PIPE da FAPESP. “O programa custeou visitas a diversos órgãos de meio ambiente e transporte e nos ajudou a lapidar o projeto pelas necessidades do mercado”, diz a pesquisadora (mais informações sobre o programa de treinamento: http://agencia.fapesp.br/24938).

Ainda mais impactante, conta a bióloga, foi a participação da ViaFauna no programa de treinamento Leaders in Innovation Fellowships Programme (LIF), realizado no Reino Unido entre 28 de novembro e 9 de dezembro de 2016, graças a uma parceria entre a FAPESP e a Royal Academy of Engineering. Foram 15 dias de cursos intensivos sobre administração, planejamento financeiro, patentes, marketing e divulgação, entre outros temas ligados a liderança em inovação e empreendedorismo. “O PIPE desperta para a importância de conhecer outras ciências necessárias ao desenvolvimento do projeto”, diz ela (mais informações sobre o programa: http://agencia.fapesp.br/24306).

Por isso, desde a Fase 1 a bióloga buscou a informação necessária que lhe permitisse dialogar com os especialistas em eletrônica responsáveis por concretizar as necessidades de seu projeto. E para a Fase 2 a equipe será ainda mais multidisciplinar: Além da Trapa Câmera, empresa especializada em tecnologias para a fauna, a ViaFauna está convidando a Hoobox Robotic, startup da área de robótica e inteligência artificial também apoiada pelo PIPE, para participar dos testes do protótipo. “O profissional de hoje tem que ter um viés multidisciplinar. Não dá para ficar na sua caixinha, isolado na sua formação inicial”, diz Fernanda.

In:

FAPESP – Pesquisa para Inovação

18-08-2017

 

Alceri Luiz

catarinense, arqueólogo, fotografo e produtor cultural....

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