AVC, andar para trás ajuda

 

Andar para trás ajuda pacientes com AVC

 

A equipe pretende agora entender como andar para trás “reseta” os circuitos cerebrais para ajudar os pacientes com derrame.
[Imagem: Oluwole O. Awosika et al. – 10.1093/braincomms/fcaa045]

Andar para trás

Se você acha que andar para trás não lhe levará a lugar nenhum, é melhor começar a rever seus conceitos.

Os atletas, por exemplo, já sabem há algum tempo que andar para trás em uma esteira lhes dá força e agilidade.

Com esses resultados físicos em vista, pesquisadores da Universidade de Cincinnati (EUA) resolveram avaliar se a técnica não poderia ajudar pacientes que sofreram derrame a aprender a andar novamente.

“Do ponto de vista da neurociência, acreditamos que o treinamento em esteira andando para trás requer uma percepção contínua de onde o pé está no espaço para não cair durante o treinamento. Portanto, é possível que ele possa aumentar as respostas sensoriais, essenciais para sinalizar para as regiões do cérebro que controlam o equilíbrio e a simetria da caminhada, o que pode melhorar a velocidade da caminhada,” explicou o professor Oluwole Awosika.

Ele então usou sensores para medir alterações relacionadas ao treinamento nas vias sensoriais do cérebro e da medula espinhal que afetam o equilíbrio e a posição do corpo, bem como a simetria da marcha.

Estimulação elétrica

O estudo piloto confirmou a segurança e os bons resultados dessa abordagem de reabilitação.

“O comprometimento da marcha afeta quase 66% dos sobreviventes de AVC, o que geralmente leva a quedas e lesões. São necessárias abordagens mais novas e abrangentes para melhorar a recuperação da marcha nesses sobreviventes. Esperamos que nossa pesquisa revele uma estratégia mais eficaz para ajudar esse grupo a melhorar sua qualidade de vida e alcançar a independência,” disse o pesquisador.

A equipe prosseguirá os estudos na tentativa de compreender os mecanismos que o andar para trás aciona no cérebro, permitindo a recuperação, e se outras terapias poderiam ser usadas em conjunto ou isoladas, com vistas a se obter os mesmos resultados.

“Os resultados levantam questões interessantes sobre os mecanismos de aprendizagem locomotora no acidente vascular cerebral, e são necessários estudos de dosagem de estimulação com corrente direta transcutânea da coluna vertebral para entender melhor seu potencial papel como um auxiliar neuromodulatório para a reabilitação caminhando,” escreveu a equipe.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Backward locomotor treadmill training combined with transcutaneous spinal direct current stimulation in stroke: a randomized pilot feasibility and safety study
Autores: Oluwole O. Awosika, Saira Matthews, Emily J. Staggs, Pierce Boyne, Xiao Song, Bridget A. Rizik, Heidi J. Sucharew, Christina Zhang, Gabrielle Mungcal, Rohitha Moudgal, Amit Bhattacharya, Kari Dunning, Daniel Woo, Brett M. Kissela
Publicação: Brain Communications
Vol.: 2, Issue 1, 2020, fcaa045
DOI: 10.1093/braincomms/fcaa045

 

In:

https://www.diariodasaude.com.br/

08/07/2020