A qualidade ruim de empregos no Brasil

 

Quase metade dos empregos no país é de baixa qualidade, indica Estudo

 

De acordo com reportagem do Jornal Valor Econômico, do dia 9 de outubro de 2020, quase metade dos empregos existentes no Brasil são de qualidade ruim, com salários baixos, instabilidades ou jornada excessiva, o correspondente a 40.8 milhões de ocupações [45.5%] do total, mostra estudo da Consultoria IDados.

O Estudo avalia a qualidade do emprego para além dos salários, com base em literatura internacional surgida nos últimos anos. A ideia é sintetizar múltiplos fatos em um indicador. “Existe um problema estrutural que limita a oferta de boas vagas no Brasil: a baixa produtividade de trabalhadores, reflexo de pouco investimento em educação, isso dificultaria que setores mais dinâmicos cresçam e gerem muitos empregos no país” afirmou Bruno Ottoni.

A proporção de empregos de qualidade é pior do que a registrada na média de 34 países europeus acompanhada pela Eurofound, agência da União Europeia.

Em outro Estudo com metodologia semelhante, aplicado para a América Central, mostra que o Brasil está em níveis parecido ao de países como Honduras [41.6%] e Nicarágua [43,3%] e bem pior do que a Costa Rica [18,8%] Panamá[29%], por exemplo.

Para compreender o brasil a Consultoria IDados baseou se em indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio [Pnad] Contínua do IBGE, de 2017. A ideia era olhar o mercado de trabalho sem as recentes distorções gerada pela pandemia.

De acordo com o Estudo do IDados o principal fator para a má qualidade do emprego no Brasil está no salário. O Estudo mostra que 77,7% das ocupações remuneradas insuficientemente para adquirir seis cestas básicas, critério de corte adotado. Cada cesta custa pouco mais de R$ 500.00.

Logo após os salários, a falta de estabilidade pesa para abaixa qualidade das ocupações no país. Cerca de 40% dos trabalhadores estavam no emprego havia menos de 36 meses, o que evidenciaria uma rotatividade excessiva da força de trabalho.

Outro fator para abaixa qualidade do emprego é a seguridade. Do tal de ocupados, 35,7%] não contribuem para a Previdência Social tornando-se desprotegidos de direitos trabalhistas, como os auxílios [doenças, acidentes e aposentadoria].

Por fim pesa negativamente a jornada de trabalho superior a 48 horas semanais, emprego sem carteira assinada ou trabalhador por conta própria sem ensino superior. Esses fatores todos são reunidos em pontos e levam ao número final.

Bruno Ottoni lembra que a qualidade dos empregos contribui de forma para o bem-estar. E considera também que uma saída para melhorar os indicadores seria incentivar a geração de empregos formais. Ele afirma que as empresas formais e mais produtivas são muito taxadas, o que dificulta o crescimento delas e a geração de vagas de melhor qualidade no Brasil.

Bruno Ottoni, pesquisador do IDados, conclui: “O crescimento econômico também permitiria gerar mais empregos com qualidade. Ajudaria se as reformas fossem adiante, mas as partes não

avançaram por que o governo não entra na decisão séria, não pega pontos difíceis e negocia”.

Para maiores informações:

In:

Jornal Valor Econômico

9 de outubro de 2020