06-11-2018

 

Parecia que vivíamos num Circo, ou, quem sabe, Hospício. Tamanha ignorância ocorrida nestes últimos quarenta e cinco dias. É óbvio que este período todo, que na verdade começou em maio de 2013, fazia justiça ao título desta Coluna chamada carinhosamente de Perplexa Província.

Quem olhasse por simples curiosidade em todas as mídias tradicionais e nas mídias sociais poderia ter certeza que o circo todo estava montado contra uma pessoa que representava qualquer coisa que não era correta. Assim como nos circos antigamente, assim como nos relatos sobre o cotidiano em hospícios, os personagens assumiam seus ridículos caracteres e falavam. Que esses personagens transvestidos de salvadores da pátria se comportassem como assim fizeram, era compreensível, afinal, todos ganharam uma grana respeitável para executar esse desempenho. Afinal, estamos na Perplexa Província.

O que causou perplexidade, ou como diziam os antigos gaúchos, nojo, eram as pessoas, que alguém chama de “papagaios de piratas”, defendendo estes salvadores da pátria. Há no mundo literário uma frase que simbolizou esta época de “carnaval político”: “para os políticos temos dois tipos de indivíduos, os amigos que são instrumentos e os inimigos”.

Do nada, revestidos de uma grandeza intelectual fruto de leituras das primeiras três linhas de manuais das décadas de 50-60, surgiram indivíduos com informações absurdas, antigamente chamadas de “chute” e hoje em dia, na Perplexa Província, sujeita a toda ordem de globalização, as tais Fake News.

Alguém já disse que estas pessoas, fruto da cultura vigente atual, dificilmente saberão  falar sobre autoritarismo, fascismo, repressão, sem falar o óbvio do conhecimento rasteiro e apressado. Ou seja, apenas decoreba.

Era por demais engraçado, mesmo com a dramaticidade do momento, vermos e ouvirmos um grupo de indivíduos contando proezas do tipo “conversa de pescador”.  Desde limpar o nome dos órgãos fiscalizadores, botijão de gás a tanto reais, milhões de empregos criados como o Aladim o gênio da lâmpada mágica, enfim, um período com todos os esforços e barbaridades justifica a existência do título Perplexa Província.

Não pensem que estamos censurando este circo montado, apenas rindo, por que quem não  rir destes milhares, ou, quem sabe, milhões de defensores de ideologias, não pode ser levado à sério. Afinal, somente nesta Perplexa Província que vivemos poderia criar um  ambiente tão risível como foi nestas últimas semanas, alienados da sua própria história defendendo os indefensáveis.

Mas a Perplexa Província venceu a todos e é justamente agora que se pode ter certeza ou não se esta coluna deverá ser mantida. Afinal, discutiram, gritaram e foram às passeatas não pela Pátria, mas sim por ideologias rasteiras que analisadas pelo viés administrativo que nunca existiu nesta Perplexa Província de quinhentos e dezoitos anos, percebemos que necessário é refletirmos sobre o que virá em breve.

Não sabemos se ainda teremos espaço nesta Revista, mas a certeza do ridículo destas ideologias que até hoje eram defendidas e são motivos de risadas, isto sim sabemos.

Que comece 2019 pelo mínimo diferente para a pátria.

2019 feliz para todos.